Turismo literário e mediação tecnológica
a rota Machado de Assis pelas lentes das mobilidades
Résumé
O artigo propõe o conceito de dispositivo de mobilidade narrativa como contribuição original para compreender as articulações entre literatura, cidade e tecnologia no turismo literário contemporâneo. A partir da análise da Rota Literária Machado de Assis, itinerário digital que percorre o centro do Rio de Janeiro, examina-se como a mediação técnica reorganiza modos de leitura, formas de presença e regimes de memória urbana. Fundamentado no Paradigma das Mobilidades e na noção de dispositivo, o estudo mobiliza cinco dimensões já consolidadas na literatura (física, comunicacional, imaginativa, virtual e dos objetos) para construir uma moldura interpretativa do caso. Argumenta-se que a Rota converte a obra em prática espacial guiada por plataformas, instaurando uma curadoria da atenção que tende a atenuar a ambiguidade crítica de Machado. Ao examinar essa montagem técnico-simbólica, o artigo demonstra que a circulação da literatura em contexto turístico opera como patrimonialização mediada, reconfigurando as relações entre texto, corpo e cidade.