UM ARRANJO NAS TRANSFORMAÇÕES ESTILÍSTICAS DO CHORO
A VERSÃO DE ASSANHADO PELO NÓ EM PINGO D'ÁGUA
Palavras-chave:
Arranjo, Choro, Transformações estilísticas, Hibridismo, Neo-choroResumo
Este artigo investiga o papel do arranjo nas transformações estilísticas do gênero musical choro no final do século XX, a partir da atuação de Paulinho da Viola, Radamés Gnattali, da Camerata Carioca, do grupo Nó em Pingo D’Água e de formações associadas ao chamado “neo-choro” — termo cunhado pelo jornalista e crítico Tárik de Souza. Discute-se o uso dos conceitos de “estilo”, “gênero”, “hibridismo” e “arranjo” no campo da música popular brasileira ‑— e do choro, especificamente —, considerando tanto os processos de criação musical de instrumentistas e conjuntos quanto o contexto de recepção de novas propostas. O aporte teórico articula contribuições de musicólogos e historiadores como Allan F. Moore, Ana Maria Ochoa, Ary Vasconcelos, Baptista Siqueira, Franco Fabbri, Henrique Cazes, Jairo Severiano, José Ramos Tinhorão, Mário de Andrade, Pedro Aragão, Paulo Aragão, Acácio Piedade, Philip Tagg e Sheila Zagury. A análise da versão de Assanhado, de Jacob do Bandolim, arranjada por Rodrigo Lessa e gravada pelo Nó em Pingo D’Água, evidencia aspectos significativos das recentes mudanças estilísticas no choro.
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