O REGENTE-ARRANJADOR COMO ELO ENTRE CRIAÇÃO E PERFORMANCE NO AMBIENTE CORAL

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Palavras-chave:

Regente-arranjador, Arranjos corais, Repertório coral brasileiro, Práticas Interpretativas, Canto Coral

Resumo

Este artigo tem por foco a prática do arranjo coral, destacando a importância do regente-arranjador como elo entre a criação e a performance.  Como metodologia, foi realizada uma revisão bibliográfica inicial que apontou para a ausência de temas relevantes, o que levou à realização de  entrevistas semiestruturadas e abertas com os regentes-arranjadores Eduardo Fernandes, Marcelo Recski e Roberto Rodrigues, residentes em São Paulo. Tais entrevistas foram uma forma efetiva de se chegar a esclarecimentos sobre as questões práticas sobre criação e interpretação de arranjos de música brasileira, além de questões específicas sobre determinados arranjos (utilizados como exemplos em partitura), que as outras metodologias não eram capazes de abarcar. A metodologia incluiu também o levantamento de dados sobre regentes-arranjadores em atividade no sudeste do Brasil desde a década de 70, utilizando dados disponíveis na internet, a partir do método prosopográfico. O artigo problematiza três aspectos da prática de arranjos corais: 1) o repertório como fator de identidade de grupo; 2) adaptações de arranjos; 3) comunidade interpretativa:  regras e estratégias de escrita, leitura e interpretação de arranjos corais. Entre os resultados, é fornecido um perfil do regente-arranjador em atividade no sudeste do Brasil e são apresentadas discussões sobre a prática da criação e performance de arranjos corais. Conclui-se que as partituras de arranjos corais são geralmente partituras abertas, sujeitas a alguns acréscimos, supressões ou transformações, de acordo com as regras e estratégias de uma comunidade interpretativa. A partir das entrevistas, foi possível identificar práticas de leitura e de uso compartilhadas pelos regentes corais brasileiros.  Destaca-se ainda a importância dos coralistas e dos regentes-arranjadores na definição de obras a serem arranjadas e nos processos de adaptação e performance.

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Publicado

2026-03-03

Como Citar

Andrade Oliveira, C., & Igayara-Souza, S. C. (2026). O REGENTE-ARRANJADOR COMO ELO ENTRE CRIAÇÃO E PERFORMANCE NO AMBIENTE CORAL . DEBATES - Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Música, 30, e3026D7. Recuperado de https://seer.unirio.br/revistadebates/article/view/14266

Edição

Seção

Dossiê - Arranjo: História, técnica, pedagogia e transformações contemporâneas