DA ESCUTA ÀS RELAÇÕES DE PODER
UMA PROPOSTA DE ANÁLISE DE DISCURSO DOS CONCEITOS E DAS PRÁTICAS ARTÍSTICAS NA ECOLOGIA SONORA
Palavras-chave:
Ecologia sonora, Análise de discurso, Escuta ativa, Procedimentos de controle;Resumo
O artigo investiga a constituição da escuta como objeto do discurso, analisando as posições do artista e do ouvinte a partir das formulações teóricas e das práticas artísticas ligadas à ecologia sonora. Partimos de um exame histórico para compreender como, no debate estético da música de concerto euro-ocidental, as formulações sobre a escuta se configuraram pelo distanciamento entre diferentes papéis musicais. O trabalho se desdobra então na análise de três corpus acadêmicos complementares. Iniciamos com as formulações de Murray Schafer e de seus contemporâneos da Simon Fraser University, com o objetivo de situar o conceito de paisagem sonora. Em seguida recorremos às críticas voltadas às questões epistemológicas, conceituais e uma possível arqueologia do termo, destacando seus limites e problemáticas. Por fim, analisamos práticas artísticas historicamente vinculadas ao conceito, com ênfase nas caminhadas e nas composições de paisagem; ambas serão observadas a partir dos procedimentos de controle do discurso e do conceito de dispositivo. Esperamos que o arco analítico desenvolvido ao longo do texto nos permita compreender algumas das condições históricas de possibilidade que tornaram possível a emergência da ecologia sonora, bem como as relações de poder produzidas pelos discursos sobre tais práticas.
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