Quem enxugará minhas lágrimas? Apontamentos sobre luto e orfandade na pandemia de covid-19 à luz da teoria do apego
DOI :
https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e13537Mots-clés :
Orfandade, Pandemia, Luto infantil, Apego, covid-19Résumé
Revisão integrativa que objetivou compreender, à luz da Teoria do Apego, o impacto da perda dos genitores na saúde mental de crianças órfãs decorrente da pandemia de covid-19. Realizaram-se buscas no período de março a abril de 2022, nas bases de dados: CINAHL, PsycNET, Pubmed, Scopus e Web of Science. Dos 121 artigos inicialmente reportados, apenas cinco estudos atenderam aos critérios de inclusão. Estima-se que mais de 5 milhões de crianças tenham ficado órfãs pelo SARS-CoV-2 em todo o mundo, com prevalência de órfãos paternos, bem como de egressos de grupos familiares com condições socioeconômicas menos favorecidas. Também foram encontradas divergências no número de órfãos entre os países. Luto complicado, quadro depressivo e transtorno de estresse pós-traumático são apontados como os principais impactos psicossociais da perda parental. Dadas as parcas evidências encontradas e a fonte de dados secundária dos estudos avaliados, não se pode fazer generalizações, haja vista o risco de viés. Todavia, é evidente a necessidade de investigações posteriores que esclareçam melhor a orfandade decorrente da atual pandemia, bem como a ingerência das desigualdades sociais no enlutamento de órfãos.
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