Dançando com vampiros e beijando caixões: uma perspectiva de valorização dos espaços cemiteriais a partir das subculturas urbanas e suas formas de socialização

Autores

  • Yasmin Koury Universidade Federal de Pernambuco
  • Natal Chicca Universidade Federal de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14163

Palavras-chave:

Cemitérios, Subculturas, Gótico, Emo, Preservação patrimonial

Resumo

O presente trabalho discute o potencial das subculturas urbanas, em especial a gótica e a emo, como aliadas na valorização e ressignificação dos espaços cemiteriais. Partindo da perspectiva dos cemitérios históricos da cidade do Recife e de conceitos como thanaturismo e turismo de conteúdo, argumenta-se que, por meio de sua estética e relação simbólica com a morte, esses grupos podem contribuir para reinserir os cemitérios no cotidiano urbano como espaços de memória, arte e socialização. A abordagem do artigo combina análise bibliográfica e reflexão crítica, articulando patrimônio, juventude e sensibilidade cultural. Dessa forma, são apresentadas possibilidades práticas, como eventos culturais, ações educativas, desenvolvimento de produtos e estratégias de comunicação digital voltadas à valorização do patrimônio cemiterial. Por fim, conclui-se que, embora não sejam uma solução definitiva, essas subculturas podem atuar como catalisadoras do engajamento social e de novas formas de pertencimento simbólico aos espaços da morte, contribuindo, assim, para mitigar os estigmas que permeiam os cemitérios na atualidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Yasmin Koury, Universidade Federal de Pernambuco

Arqueóloga e mestranda em Design pela Universidade Federal de Pernambuco. CV: http://lattes.cnpq.br/1034475336827685

Natal Chicca, Universidade Federal de Pernambuco

Doutor em Design pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor Associado do Curso de Design no Departamento de Design na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). CV: http://lattes.cnpq.br/4342813292707097

Referências

Barthel, S.; Ramos, A. C. P. T. & Castro, V. M. C. (2020). Estilos Arquitetônicos em Espaços Cemiteriais: Contribuição aos Estudos de Arqueologia Funerária. Revista Noctua—Arqueologia e Patrimônio, 2(5), 107-141.

Campos, A. F., & Brandt, V. da S. (2013). Estética gótica: uma busca pela inserção dos adeptos da subcultura com a sociedade por meio do vestuário. [Trabalho de Conclusão de Curso, Universidade Tecnológica Federal do Paraná]. http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/5985.

Cardouzo, A. C. de L. P.; Koury, Y. C. B. A. & Chicca Júnior, N. A. (2024, janeiro a dezembro). Da Colina Kokuriko à Educação patrimonial: o cinema como uma ferramenta de Educação Patrimonial e Extroversão do Conhecimento. Revista Multidisciplinar de Estudos Nerds/Geek, 6(10), 129-136.

Carvalho, R. O. (2015). A emoção em rede: as éticas e estéticas Emo [Dissertação de Mestrado, Universidade do Estado do Rio de Janeiro]. http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/8968.

Costa, R. X. da & Silva, A. C. B. da. (2023, fevereiro). Jazigo perpétuo: o cemitério de Santo Amaro no Recife como museu a céu aberto. RITUR - Revista Iberoamericana de Turismo, 13(5), 149-163.

Florêncio, S. R. R. (2012). Educação patrimonial: Um processo de mediação. In A. B. Tolentino (Org.). Educação patrimonial: Reflexões e práticas (pp- 22–29). Superintendência do IPHAN na Paraíba.

Lima, I. P. de; Rocha, L. A da & Silva, J. C. G. L. da. (2022). Lugar, memória e respeito: cemitério, uma visão arqueológica. In O. A. de Carvalho & A. N. de Queiroz (Org.). Uma viagem pela arqueologia nordestina (Vol. 3, pp-183-199). Editora UFS.

Lotman, I.; Américo, E. V. & Kondratiuk, M. C. (2025, janeiro a junho). A morte como um problema de enredo. Revista M. Estudos Sobre a Morte, os Mortos e o Morrer, 10(19), e13438. https://seer.unirio.br/revistam/article/view/13438/12760.

Melo, F. C. de & Halley, R. M. (2022). Morte e vida no bairro: paradoxos do cemitério da várzea em seu território. Paisagens & Geografias, 4(Esp), 65-81. https://paisagensegeografias.revistas.ufcg.edu.br/index.php/A1p7D/article/view/45/48

Nascimento, D. S. D. (2022). O cemitério de Santo Amaro (Recife/PE) e seu potencial turístico: Um novo olhar. Portal de Trabalhos Acadêmicos, 13(1). https://revistas.faculdadedamas.edu.br/index.php/academico/article/view/2270

Pereira, B. C. (2025). O gótico está (morto)-vivo: Memórias de góticos de Curitiba-PR na interface com a subcultura [Dissertação de mestrado, Universidade Estadual do Paraná].

Rafael, R. D. & Ribeiro, L. A. (2014). Cultura e contracultura: Ferlinghetti. Revista Criação & Crítica, 13, 127-137. https://revistas.usp.br/criacaoecritica/pt_BR/article/view/83640/91601.

Ribeiro, R. R. (2019, julho a dezembro). Redes de memória e de comemoração: reflexões sobre o “contato herdeiro” do Facebook. Revista M. Estudos Sobre a Morte, os Mortos e o Morrer, 1(2), 356–375. https://doi.org/10.9789/2525-3050.2016.v1i2.356-375.

Seaton, A. V. (1996). Guided by the dark: From Thanatopsis to thanatourism. International Journal of Heritage Studies, 2(4), 234-244.

Silva, L. E. da (2024). Penas e Guitarras Sombrias: Interdisciplinaridade e Estudos Culturais entre Edgar Allan Poe e The Cure as influências da literatura e da música para a subcultura gótica [Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul]. https://repositorio.ufms.br/handle/123456789/8953.

Silva, W. C. da, et al. (2022). Bem-vindo ao Recife assombrado: Uma análise da potencialidade à promoção do dark tourism em Recife-PE. Turismo e Sociedade, 15(1), 123–142. https://revistas.ufpr.br/turismo/article/view/83444/47089.

Silva, W. R. A. da. (2006). Relatos etnográficos à meia-noite: O universo estético dos góticos na cidade de São Paulo [Dissertação de mestrado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo].

Stoker, B. (1897/2017). Drácula (A. B. de Souza, trad.). Zahar.

Sugawa-Shimada, A. (2015). “Rekijo”, pilgrimage and “pop-spiritualism”: pop-culture-induced heritage tourism of/for young women. Japan Forum, 27(1), 37-58.

Sugawa-Shimada, A. (2020). Animating artifact spirits in the 2.5 - dimensional world: personification and performing characters in Touken Ranbu. In T. G. Hu; M. Yokota & G. Horvath. (Org.). Animating the spirited: journeys and transformations (pp-55-65). University Press of Mississippi.

Sugawa-Shimada, A. (2022). Tōken Ranbu and samurai swords as tourist attractions. In T. Yamamura & P. Seaton (Ed.). War as Entertainment and Contents Tourism in Japan (pp- 56-60). Routledge.

Tavares, D. K. et al. (2015). Cemitério: patrimônio cultural material e fonte de turismo como possibilidades. RELACult-Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, 1(2), 191-210.

Tavares, D. K.; Brahm, J. P. S. & Colvero, R. B. (2017). O túmulo do general: história e arte no British Cemetery do Recife. 6 Seminário de História da Arte UFPel. Universidade Federal de Pelotas.

Trevisan, D. & Maciel, C. (2023, janeiro a junho). Panorama de pesquisas sobre aspectos educativos da morte no contexto da educação básica a partir de uma Revisão Sistemática de Literatura. Revista M. Estudos sobre a Morte, os Mortos e o Morrer, 8(15), e11204. https://seer.unirio.br/revistam/article/view/11204/11469.

Downloads

Publicado

2026-06-29

Como Citar

Koury, Y., & Chicca Junior, N. A. (2026). Dançando com vampiros e beijando caixões: uma perspectiva de valorização dos espaços cemiteriais a partir das subculturas urbanas e suas formas de socialização . Revista M. Estudos Sobre a Morte, Os Mortos E O Morrer, 11(22), e14163. https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n22.e14163