Mortes voluntárias e vidas involuntárias: o suicídio em Recife na primeira década da República
DOI :
https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n22.e13796Mots-clés :
Suicídio, Recife, Diário de Pernambuco, processo civilizatórioRésumé
Este estudo investiga como os casos de suicídio ocorridos na cidade do Recife foram noticiados no periódico “Diário de Pernambuco” durante a primeira década da República (1889-1899). Aborda o teor narrativo e sensacionalista das notícias e os apontamentos médicos publicados no referido periódico, relacionando-os aos símbolos, à mentalidade e ao cotidiano de uma nascente sociedade industrial, urbana e republicana. Constata a influência de imperativos domesticadores, como o culto ao trabalho, símbolo do projeto civilizador, e a repressão e criminalização das camadas pobres da sociedade, sobre as motivações e repercussões dos suicídios noticiados por motivos financeiros. Inseridos nessa engrenagem de coerção, esses atos de desespero revelam o peso de uma modernização que reduziu a existência das classes populares a uma condição trágica de vidas involuntárias.
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