A HARPISTA CATALÃ ESMERALDA CERVANTES NO BRASIL
CIRCULAÇÃO MUSICAL, EDUCAÇÃO FEMININA E REDES DE SOCIABILIDADE (1875–1901)
Palavras-chave:
Esmeralda Cervantes, Circulação artística no século XIX, Mulheres musicistas, História da MúsicaResumo
A trajetória da harpista catalã Esmeralda Cervantes (Clotilde Cerdá y Bosch, 1861–1926) apresenta lacunas e contradições, especialmente no que se refere à sua passagem pelo Brasil. Este estudo investiga suas viagens ao país em 1875 e 1880, sua relação com a família imperial brasileira e o período em que viveu em Belém entre 1895 e 1901. A pesquisa, baseada em jornais, documentação textual e iconográfica de instituições brasileiras e estrangeiras, especialmente da Biblioteca Nacional de Barcelona e do Arquivo da Família Imperial, reconstrói sua inserção social, artística e intelectual. Revela-se uma artista precoce, formada nos círculos musicais de Paris e Viena sob o patrocínio de figuras como a rainha Isabel II da Espanha e a condessa de Montijo. Destaca-se sua intensa carreira internacional – iniciada aos doze anos na Exposição Universal de Viena – e sua projeção no Brasil, onde recebeu o título de “Harpista da Casa Imperial” e se apresentou em importantes palcos, mantendo interlocução direta com D. Pedro II e D. Thereza Christina. A pesquisa também evidencia a atuação de Esmeralda como intelectual comprometida com causas sociais, feministas e abolicionistas, culminando na fundação, em 1885, da Academia de Ciencias, Artes y Oficios para la Mujer, em Barcelona. Ao reconstituir sua presença no território brasileiro e suas redes transnacionais, o estudo contribui para compreender a circulação artística no século XIX, assim como o papel de mulheres musicistas na construção de espaços de sociabilidade, educação e emancipação feminina.
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