Ruínas de tempo presente: reflexões sobre o luto pandêmico
DOI:
https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e13650Palavras-chave:
Luto, Pandemia, Psicanálise, Laço Social, DesmentidoResumo
Ao longo da pandemia da covid-19, a contaminação exponencial pelo novo vírus, o isolamento social, as mortes massivas ao redor de todo o mundo marcaram um sofrimento sem precedentes na história recente. Na catastrófica contagem de vítimas aos milhares, produziu-se uma vala comum, suprimindo a legitimação de cada morte como única e insubstituível. A ameaça constante de contaminação impactou as possibilidades de enlace social, e inviabilizou a realização de ritos fúnebres, suprimindo uma expressão de valor cultural, comunitário e psíquico para elaboração de uma perda. O luto é um trabalho subjetivo, que se realiza na dimensão do laço social, e que está submetido à lógica política, econômica e social que rege a vida. Nesse sentido, o presente artigo abordou, a partir do referencial psicanalítico, as singularidades do trabalho de luto nesse evento histórico, a partir do enfrentamento político e social da pandemia no contexto brasileiro. Sustentada a hipótese de que o luto instaurado durante a pandemia foi desmentido ou desautorizado socialmente, o trabalho reflete sobre e as marcas e impactos atuais da experiência de uma tragédia.
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