“PASTEIS DE VENTO MUSICAL"

BRICOLAGENS SONORAS DE PICONZÉ (1972), UM FAROESTE BRASILEIRO DE ANIMAÇÃO

Autores

Palavras-chave:

Animação brasileira, Trilha musical, Bricolagem, Paisagem sonora

Resumo

 O longa-metragem de animação brasileiro Piconzé (1972), dirigido por Ippe Nakashima, destaca-se por sua estética de bricolagem na concepção visual e na trilha musical, em que geografias e figuras díspares, como castelo medieval, sertão nordestino, sacis, dragão, bruxa e cangaceiros, são acompanhados por uma variedade musical, de música clássica europeia a baião, tango e jazz. Com o objetivo de compreender sua natureza híbrida, exploramos a trilha musical sob a ótica da bricolagem sonora na visão de Michel de Certeau (1995) e do sentido de paisagem sonora conforme Murray Schafer (2001). Em nossa análise, constatamos um processo de bricolagem estética em que a trilha musical atua em conjunto com as imagens em favor de uma paisagem cinemática permeada pela heterogeneidade de materiais musicais.

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Biografia do Autor

Julie Lemes

Julie Ane Melhado Lemes é bacharel em Música pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), pós-graduada em Direção de Arte e Processos Criativos pela mesma instituição, e mestranda no Programa de Pós-Graduação em Música da UNESPAR. Sua pesquisa tem foco na trilha sonora de animações brasileiras.

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Publicado

2026-01-09

Como Citar

Souza, J., & Lemes, J. (2026). “PASTEIS DE VENTO MUSICAL": BRICOLAGENS SONORAS DE PICONZÉ (1972), UM FAROESTE BRASILEIRO DE ANIMAÇÃO. DEBATES - Cadernos Do Programa De Pós-Graduação Em Música, 30, e302605. Recuperado de https://seer.unirio.br/revistadebates/article/view/14294

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Artigos