“Ninguém sonha em ser coveiro”: vozes do silêncio em tempos de pandemia
DOI:
https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e14014Palavras-chave:
Sepultadores, Crise sanitária, Covid-19, Estigma, Invisibilidade SocialResumo
O presente estudo analisa as representações midiáticas sobre o trabalho dos coveiros durante a pandemia de covid-19 no Brasil, buscando compreender como a imprensa retratou esses profissionais e os impactos emocionais, sociais e simbólicos de sua atuação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, cujas fontes primárias foram reportagens e notícias divulgadas no portal de busca Google entre março de 2020 e dezembro de 2021. A busca utilizou as palavras-chave “coveiros”, “sepultadores”, “cemitérios”, “Brasil”, “pandemia” e “covid-19”. Após a leitura integral das matérias e a aplicação de critérios de inclusão e exclusão, 26 notícias foram selecionadas para análise. A categorização dos conteúdos revelou oito eixos temáticos: condições de trabalho e infraestrutura; visibilidade e invisibilidade social; impactos psicológicos e emocionais; representações midiáticas e discursivas; dimensões políticas e institucionais; religião, espiritualidade e sentido do trabalho; narrativas humanas e biográficas; e rituais de morte e alterações no luto. Os resultados apontam que os coveiros, apesar de ocuparem um papel essencial na linha de frente da crise sanitária, permaneceram socialmente invisíveis, enfrentando sobrecarga física e sofrimento emocional. As narrativas jornalísticas analisadas evidenciam a desvalorização histórica da profissão e ressaltam a urgência de reconhecer sua relevância social e simbólica não apenas em contextos de pandemia.
Downloads
Referências
Aisengart, R., & Machado, R. (2019). Visibilização contemporânea do processo do morrer: novos rituais e sensibilidades. Tempo da Ciência, 26(51), 1-16.
Ashforth, B. E., & Kreiner, G. E. (2014). Dirty work and dirtier work: Differences in countering physical, social, and moral stigma. Management and Organization Review, 10(1), 81-108.
Batista, A. S., & Codo, W. (2017). Trabalho sujo e estigma: cuidadores da morte nos cemitérios. Revista de Estudios Sociales, 63, 72-83. http://www.scielo.org.co/pdf/res/n63/pt_0123-885X-res-63-00072.pdf
Borges, L. A., Silva, P. H. B. da, Zara, A. L. S. A., & Oliveira, E. S. F. de. (2025). Vigilância em saúde no enfrentamento da covid-19 no Brasil: uma revisão de escopo. Ciência & Saúde Coletiva, 30(5), e02202025. https://doi.org/10.1590/1413-81232025305.02202025
Casellato, G. (Org.). (2020). Luto por perdas não legitimadas na atualidade. Summus.
Carvalho, A. F. M. de, Tiburi, R. G. B., Jucá, M. C. P., Sales, M. S., Neves, J. M. C., Silva, C. G. L. da, & Gadelha, M. S. V. (2021). Perdas, mortes e luto durante a pandemia de covid-19: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Development, 7(9), 90853-90870.
https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/36149/pdf
Cellard, A. (2008). A análise documental. In J. Poupart, J.-P. Deslauriers, L. H. Groulx, A. Laperriére, R. Mayer, & A. Pires (Orgs.). A pesquisa qualitativa: enfoques epistemológicos e metodológicos (pp. 295-316). Vozes.
Douglas, M. (2019). Pureza e perigo: Ensaio sobre as noções de poluição e tabu (3ª ed.). Editora Perspectiva.
Elias, N. (1994). O processo civilizador: Uma história dos costumes (Vol. 1). Zahar.
Foucault, M. (1988). História da sexualidade I: A vontade de saber (M. T. C. Albuquerque & J. A. G. Albuquerque, Trads.). Edições Graal.
Franco, M. H. P. (2021). O luto no século 21: Uma compreensão abrangente do fenômeno. Summus Editorial.
Goffman, E. (1988). Estigma e identidade social. In E. Goffman. Estigma: Notas sobre a manipulação da identidade deteriorada (pp. 5-37). LTC.
Guidetti, G., Viotti, S., Bruno, A., Gilardi, S., & Converso, D. (2021). Funeral and mortuary operators: The role of stigma, incivility, work meaningfulness, and work-family relation to explain occupational burnout. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18(13), 6691. https://www.mdpi.com/1660-4601/18/13/6691
Gwenzi, W. (2021). Autopsy, thanatopraxy, cemeteries and crematoria as hotspots of toxic organic contaminants in the funeral industry continuum. Science of the Total Environment, 753, 141819. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0048969720353481
Hughes, E. C. (1951). Work and the self. In J. H. Rohrer & M. Sherif (Eds.). Social psychology at the crossroads (pp. 313-323). Harper.
Klaassens, M., & Groote, P. D. (2014). Postmodern crematoria in the Netherlands: A search for a final sense of place. Mortality, 19(1), 1-21.
https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13576275.2013.843511
Kovács, M. J. (2020). Prefácio: De quarentena pela covid-19. In G. Casellato (Org.). Luto por perdas não legitimadas na atualidade. Summus.
Lerner, K. & Aisengart, R. (2024). Covid-19 e tempos de crise: entre o risco e o cuidado. Saúde & Sociedade, 33(3), e240309pt. https://doir.org/101590/S0104-129020240309pt
Lessa, C. (1995). Trabalhando com a morte (2ª ed.). Scarpita Gráfica e Editora.
Mbembe, A. (2018). Necropolítica (3ª ed.). n-1 Edições.
Menezes, R. A. (2014). Biomedicina e gestão contemporânea do morrer. In A. Ewald, J. Soares, M. F. V. Severiano, C. A. B. Aquino, & A. Mattos (Orgs.). Subjetividade e temporalidades: diálogos impertinentes e transdisciplinares. Garamond.
Menezes, R. A., Machado, R. M. (2019) Visibilização contemporânea do processo do morrer: novos rituais e sensibilidades. Revista Tempo da Ciência, 26(51).
Menezes, R. A., Machado, R. M., & Silva, N. R. (2021). Final de vida e rituais fúnebres: Perspectiva socioantropológica. In F. R. Cordeiro, J. R. Fripp, & S. G. Oliveira (Orgs.). Final de vida: Abordagem multidisciplinar. Moriá Editora.
Menezes, R. A., & Gomes, E. C. (2011). Seu funeral, sua escolha: Rituais fúnebres na contemporaneidade. Revista de Antropologia, 54(1), 89-131.
Reis, J. J. (1991). A morte é uma festa: Ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. Companhia das Letras.
Rotar, M. (2015). Attitudes towards cremation in contemporary Romania. Mortality, 20(2), 145-162. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13576275.2014.989825
Rumble, H., Troyer, J., Walter, T., & Woodthorpe, K. (2014). Disposal or dispersal? Environmentalism and final treatment of the British dead. Mortality, 19(3), 243-260. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13576275.2014.920315
Silva, J. M. R. (2018). Sepulta-a-dor: Reflexões sobre os possíveis efeitos do trabalho como coveiro [Trabalho de conclusão de curso de graduação, Universidade Federal de Campo Grande].
Soares, E. R. O. (2018). Um olhar voltado para os coveiros: Trabalhadores invisíveis [Trabalho de conclusão de curso de especialização, Universidade Federal de Mato Grosso]. https://bdm.ufmt.br/bitstream/1/1072/1/TCCP_2018_Edna%20Rodrigues%20de%20Oliveira%20Soares.pdf
Susuki, H. (2013). Death and dying in contemporary Japan. Routledge.
Tradii, L. (2016). Death and dying in contemporary Japan [Resenha]. Mortality, 21(4), 399-400. https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/13576275.2016.1206517
Vicente da Silva, A. (2020). Velórios em tempos de covid. Boletim n. 25: Ciências Sociais e o Coronavírus, Anpocs. http://www.anpocs.com/index.php/ciencias-sociais/destaques/2339-boletim-n-25-cientistas-sociais-e-o-coronavirus
Vicente da Silva, A. (2020, julho 20). Os ritos possíveis de morte em tempos de coronavírus. Revista Dilemas IFCS-UFRJ, Reflexões na pandemia: 1, 1-12.
https://www.reflexpandemia.org/texto-50
Vicente da Silva, A., Rodrigues, C., & Aisengart, R. (2021). Morte, ritos fúnebres e luto na pandemia de covid-19 no Brasil. Revista NUPEM, 13(30), 214-234.
Vicente da Silva, A. (2022, setembro 3). Apresentação na 33ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). Curitiba.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Licença Creative Commons CC BY 4.0













