« PERSONNE NE RÊVE DE DEVENIR FOSSOYEUR » : LES SEPULTEURS DANS LE CONTEXTE DE LA PANDÉMIE DE COVID-19 AU BRÉSIL
DOI :
https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e14014Mots-clés :
Fossoyeurs, Covid-19, Stigmatisation.Résumé
Objectifs : Il s'agit d'une étude visant à comprendre les impacts de la pandémie de COVID-19 sur la routine de travail des fossoyeurs opérant dans les cimetières publics et privés au Brésil durant les années 2020 et 2021, en partant de l'hypothèse qu'il s'agit d'une profession socialement invisibilisée et stigmatisée.
Méthodologie : Quarante articles publiés dans la presse brésilienne à l’époque ont été analysés, portant sur l’activité des fossoyeurs durant la pandémie.
Résultats : Les résultats suivants se distinguent : surcharge de travail, accumulation des tâches, exposition à des risques biologiques, difficulté d’accès aux équipements de protection individuelle (EPI), peur de la contamination, impact émotionnel dû au nombre élevé d’inhumations, et changements dans les rituels d’adieu. En outre, l’analyse des articles a révélé des revendications pour de meilleures conditions de travail et pour une priorité d’accès à la vaccination, ainsi qu’une migration professionnelle depuis d’autres secteurs vers celui des services funéraires. Ce changement professionnel a cependant été perçu comme une nécessité absolue, car « personne ne rêve de devenir fossoyeur », selon le témoignage rapporté dans l’un des articles analysés. Conclusions : Le contexte pandémique a permis une plus grande visibilité et valorisation de la catégorie professionnelle des fossoyeurs. Toutefois, malgré cette visibilité accrue dans les médias nationaux, la lecture et l’analyse des reportages ont mis en évidence une représentation sociale de cette profession encore marquée par le stigmate et le discrédit.
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