Vida e morte sob o manto mercedário: irmandades e práticas fúnebres em Minas Gerais, séculos XVIII e XIX

Autores

  • Vanessa Cerqueira Teixeira Universidade Federal de Ouro Preto – Minas Gerais, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e13556

Palavras-chave:

Confrarias, Economia de salvação, Bem morrer, Cultura barroca, Nossa Senhora das Mercês

Resumo

Este artigo tem como objetivo abordar a atuação das Irmandades de Nossa Senhora das Mercês em Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX, em contexto cultural barroco. No território minerário e agromercantil, essas corporações surgiram a partir do agenciamento crioulo, isto é, dos afrodescendentes nascidos na América portuguesa, na condição de escravizados, forros ou livres, demarcando a constituição de grupos sociais e identidades pautadas em nova simbologia. Os crioulos das Mercês erigiram irmandades em pelo menos 20 localidades, sendo a quarta devoção mais propagada na capitania. Por uma perspectiva cultural serão analisadas as representações, as práticas e os conflitos em torno da morte, relacionados a uma de suas principais funções, os rituais fúnebres, por meio de fontes confraternais como Livros de Compromisso, Entradas, Contabilidade, Termos de Reunião, Correspondências e Causas Judiciais, salvaguardados, sobretudo, nos arquivos eclesiásticos.

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Biografia do Autor

Vanessa Cerqueira Teixeira, Universidade Federal de Ouro Preto – Minas Gerais, Brasil

Doutora em História na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Atualmente é pesquisadora bolsista vinculada à Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG - Unidade Campanha) e ao Centro de Memória Cultural do Sul de Minas (bolsista FAPEMIG no Projeto Sistema Multiusuários e colaboradora no Laboratório de História Oral e Imagem). CV: http://lattes.cnpq.br/2744377288967754

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Publicado

2025-12-26

Como Citar

Teixeira, V. C. (2025). Vida e morte sob o manto mercedário: irmandades e práticas fúnebres em Minas Gerais, séculos XVIII e XIX. Revista M. Estudos Sobre a Morte, Os Mortos E O Morrer, 11(21), e13556. https://doi.org/10.9789/2525-3050.2026.v11n21.e13556