Acessibilidade, biodisponibilidade e consumo de alimentos ricos em carotenoides e vitamina A em crianças de até 5 anos

Talita Braga de Brito Nogueira, Thais Alves de Oliveira, Tatiana de Souza Medina, Fabiana Ramos Nascimento, Talita Pimenta do Nascimento, Mariana Simões Larraz Ferreira

Resumo


Simultaneamente à epidemia mundial de sobrepeso e obesidade, existem ainda deficiências nutricionais endêmicas, tais como a hipovitaminose A em diversas regiões do mundo. A hipovitaminose A pode causar xeroftalmia (cegueira noturna e ressecamento dos olhos), cegueira e predispõe ao risco de morte milhares de crianças no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento, inclusive no Brasil, o que indica a necessidade de implementação de estratégias públicas efetivas para controlar e prevenir distúrbios nutricionais e suas complicações neste ciclo de vida. Evidências científicas apontam que o consumo de frutas e verduras, ricas em carotenoides, é capaz de melhorar o estado de deficiência nutricional em vitamina A em crianças. Assim, informações combinadas sobre o perfil de consumo alimentar, a acessibilidade, a composição e a biodisponibilidade de carotenoides em alimentos-fonte e em suplementos de vitamina A são fundamentais no combate à hipovitaminose A em crianças menores de cinco anos, principalmente em países em desenvolvimento. Dentro desse contexto, esta revisão traz como objetivos avaliar os dados obtidos sobre acessibilidade, biodisponibilidade e consumo alimentar de alimentos ricos em carotenoides e vitamina A na intervenção efetiva para prevenção e do controle da hipovitaminose A em crianças menores de 5 anos no mundo. 


Palavras-chave


Bioacessibilidade, Consumo alimentar, Crianças, Pró-vitamina, Retinol, Vitamina A

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