Riscos químicos hospitalares e gerenciamento dos agravos à saúde do trabalhador de enfermagem

Lorena Sabbadini da Silva, Geilsa Soraia Cavalcanti Valente

Resumo


Introdução

A saúde, como direito universal e dever do Estado, é uma conquista do cidadão brasileiro, expressa na Constituição Federal e regulamentada pela Lei Orgânica da Saúde.¹ No âmbito deste direito encontra-se a saúde do trabalhador. As condições de trabalho influenciam no processo laboral e contribuem para determinar o processo de saúde doença dos trabalhadores. Trata-se de um relevante problema de saúde pública, pois, está intimamente ligado ao elevado índice de absenteísmo, este classificado como absenteísmo profissional, já que o mesmo abrange as ausências por doença profissional ou acidente de trabalho.² O afastamento temporário ou definitivo do trabalhador acarreta em influências diretas e indiretas no aspecto do balanço econômico do país. O trabalho é a força que impulsiona o desenvolvimento econômico de um Estado, sendo assim o trabalhador é uma peça fundamental neste processo. Os trabalhadores de enfermagem estão expostos a uma diversidade de cargas que são geradoras de processo de desgaste. Os fatores de riscos capazes de causar injuria a produção, a qualidade, a assistência prestada e a saúde dos trabalhadores são oriundos dos agentes, físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, psicossociais e de acidentes. O risco químico é caracterizado pelo perigo a que determinado indivíduo está exposto ao manipular produtos químicos que podem causar-lhe danos físicos ou prejudicar-lhe a saúde. Consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.4­ Os danos físicos relacionados à exposição química incluem, desde irritação na pele e olhos, passando por queimaduras leves, indo até aqueles de maior severidade, causando envenenamentos e toxicidade. Algumas substâncias químicas fazem parte do instrumento de trabalho da equipe de enfermagem. Essas substâncias são introduzidas na área de saúde e da enfermagem, em seus diferentes estados como gases, vapores e líquidos para uso em esterilização, desinfecção de materiais, anestesias e tratamentos medicamentosos de pacientes como, por exemplo, a quimioterapia.³,5. Essas substâncias são capazes de produzir tipos diversos de lesões celulares, essas lesões podem ter efeitos manifestados de imediato ou tardiamente. Essas manifestações tardias podem estar relacionadas à dificuldade que esses trabalhadores se defrontam em reconhecer e associar os sinais e sintomas ao manuseio destas substâncias. Prevenir é uma das formas de se evitar os problemas de saúde ocupacional que podem ser desencadeados por essa exposição; porém, para a efetividade dessa prevenção é necessário que os trabalhadores tenham conhecimento sobre os riscos propiciados pelas substâncias químicas6. O reconhecimento e a análise dos riscos relacionados a agentes químicos são atividades prioritárias para qualificar a intervenção na defesa da saúde do trabalhador: quem não reconhece não pode avaliar e prevenir o risco.¹

Objetivo

 Identificar e analisar os tipos de riscos químicos capazes de desencadear a toxicidade em profissionais da área de enfermagem e os tipos de gerenciamentos de agravos que podem ser adotados pelos enfermeiros.

Metodologia

 Estudo qualitativo, tipo revisão bibliográfica. Para alcançar os objetivos propostos, realizou-se levantamento bibliográfico nas bases de dados BDENF (Base de Dados de Enfermagem), ScIELO (Scientific Eletronic Library Online)  e LILACS (Literatura Latino-americana e do Caribe de Ciências da Saúde). Utilizaram-se os seguintes descritores: Risco ocupacional, saúde do trabalhador, riscos químicos e enfermagem ocupacional. Foram selecionados todos os artigos nacionais, disponíveis na íntegra, que estivessem relacionados as determinadas substâncias químicas geradoras de riscos que pudessem ocasionar problemas à saúde dos trabalhadores de enfermagem, tais estudos foram analisados através de leitura prévia de seus resumos. Foram selecionados 08 artigos indexados nas bases de dados. Após a leitura minuciosa e interpretativa, realizou-se empiricamente a elaboração dos eixos temáticos, que foram: 1. Tipos de agentes relacionados aos riscos químicos e 2. Conhecimento dos trabalhadores de enfermagem aos agravos provocados por substâncias químicas.   

Resultados

 A identificação precoce dos riscos ocupacionais exerce caráter prevencionista sobre doenças e acidentes relacionados ao trabalho, possibilitando uma diminuição na ocorrência de sinistros. Constata-se que a produção de pesquisas relacionadas aos riscos químicos é defasada, o que contribui para a falta de informações e material científico necessários para o constante aprendizado destes trabalhadores.

Deve-se ocorrer interação entre os serviços relacionados à saúde e segurança do trabalhador, como o SESMT e a CIPA com os próprios profissionais, afim de implantar estratégias necessárias para a prevenção e gerenciamentos desses agravos.

Conclusão

 Sugerimos a partir deste estudo, que sejam realizadas novas pesquisas nessa área, pois em vista de outros tipos de riscos ocupacionais as produções são incipientes, apesar de ser um tema extremamente importante para a saúde do trabalhador. As ações de educação continuada, devem ser mais abarcadas, já que o enfermeiro é um constante educador em saúde exercendo importante papel no que diz respeito à prevenção e ao gerenciamentos dos agravos à saúde.

Referências   

1.     Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à saúde. Série A normas e manuais técnicos.  Risco químico, atenção à saúde do trabalhador exposto ao benzeno. Brasília; Ministério da Saúde; set. 2006. 47 p. disponível em www.bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_risco_quim.pdf

2.     Becker SG, Oliveira MLC. Estudo do absenteísmo dos profissionais de enfermagem de um centro psiquiátrico em Manaus, Brasil. Rev Latino-am de Enfermagem 2008, jan-fev, 16(1)

3.     Costa TF, Felli VA. Exposição do trabalhador de enfermagem às cargas químicas em um hospital público universitário da cidade de São Paulo. Rev Latino-am Enfermagem, 2005, julho-agosto; 13(4); 501-8

4.     Programa de prevenção de riscos ambientais. NR-9. in www.mte.gov.br/legislacao/normas_regulamentadoras/nr_09_at.pdf

5.     Morais EN. Riscos químicos para os enfermeiros que manuseiam quimioterápicos antineoplásicos. Programa de Pós-graduação em enfermagem-Mestrado. RJ, 2009, p.69 

6.     Xelegati R et al. Riscos ocupacionais químicos identificados por enfermeiros que trabalham em ambiente hospitalar.Rev Latino-am Enfermagem 2006 março-abril; 14(2).

7.     Xelegati R, Robazzi MLCC. Riscos químicos a que estão submetidos os trabalhadores de enfermagem: Uma revisão de literatura. Rev Latino-am Enfermagem,2003,  maio-junho; 11(3); 350-6

8.     Tripple AFV et al. O uso do glutaraldeído em serviços de saúde e a segurança do trabalhador. LILACS- R. enferm UERJ 2004; 12: 186-91

9.     Monteiro ABC et al. Manuseio e preparo de quimioterápicos : Uma colaboração ao processo reflexivo da conduta da enfermagem. Rev. latino-am. enfermagem - Ribeirão Preto - v. 7 n. 5, p. 127-35- dez 1999

10. Leitão IMTA, Fernandes AL, Ramos IC. Saúde ocupacional: Analisando os riscos relacionados à equipe de enfermagem numa unidade de terapia intensiva. Cienc Cuid Saúde. 2009, Out-Dez; 7(4): 476-84 


Palavras-chave


Risco ocupacional, saúde do trabalhador, riscos químicos e enfermagem ocupacional.

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DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.2012.v0i0.21-24 

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