ENFERMAGEM E CLIENTE: AÇÕES CONJUNTAS DE CUIDADO E PRESERVAÇÃO DA FÍSTULA ARTEROVENOSA.

Alessandra Guimarães Monteiro Moreira, Bárbara Braga Cavalcante, Sílvia Teresa Carvalho de Araújo

Resumo


 

Moreira, Alessandra Guimarães Monteiro1

Cavalcante, Bárbara Braga2

Araújo, Sílvia Teresa Carvalho de3

FAPERJ

Enfermagem; cuidado; hemodiálise.

Trata-se de um projeto de iniciação científica FAPERJ a ser desenvolvida no período de maio de 2010 a maio de 2011. A presente pesquisa versa sobre o cuidado de enfermagem na terapia substitutiva renal junto aos clientes com acesso de fístula arterovenosa (FAV) em sessão de hemodiálise, no que ele conhece e faz para a preservação do acesso vascular. O objeto de investigação são os cuidados diretos com a Fístula arterovenosa, considerando os cuidados de enfermagem no ato da punção, no ato da retirada da agulha ao término da sessão de hemodiálise e o autocuidado do cliente para preservação da fístula arterovenosa. OBJETIVOS: Identificar os cuidados, as intervenções e as comunicações estabelecidas entre enfermeiro e o cliente durante a punção e a retirada da agulha na fístula; Levantar as ações de autocuidado do cliente com o local de punção no domicílio; Analisar o padrão de autocuidado do cliente com o local de punção durante as intercorrências na residência. JUSTIFICATIVA: O enfermeiro que possui uma visão holística no cuidado de enfermagem, ao realizar os procedimentos junto ao cliente com DRC, possibilitará acompanhar sua trajetória, sua evolução e poderá refletir sobre a melhor conduta para evitar eventuais complicações. A proximidade do enfermeiro-cliente permite uma melhor compreensão para realização de um plano de cuidado específico para cada paciente atendendo suas necessidades. RELEVÂNCIA: Quanto à prática de pesquisa, espera-se contribuir com o desenvolvimento de futuras investigações na área de Enfermagem em Nefrologia; nas pesquisas utilizando cuidados na punção e os cuidados prestados pelo enfermeiro e pelo cliente; incentivar à prática da pesquisa dos graduandos, de forma precocemente durante a formação, na especialidade de Enfermagem nefrológica. CONCEPÇÕES TEÓRICAS: O autocuidado na concepção de Orem tem como propósito, as ações, que, seguindo um modelo, contribui de maneira específica, na integridade, nas funções e no desenvolvimento humano. Portanto, essa prática constitui uma habilidade humana que significa cuidar de si mesmo(1). A boa comunicação entre a equipe de diálise (no hospital e na clínica ambulatorial), equipe da unidade e o paciente é essencial para fornecimento do cuidado adequado e contínuo, visando estimular o autocuidado. O conhecimento da comunicação tem importante relevância para o cuidado, devido ao vínculo existente entre o profissional e cliente ser intenso, possibilitando uma compreensão plena, que vai além do que é verbalizado pelo cliente(2). MÉTODO: O Comitê de Ética em Pesquisa da EEAN/HESFA atendendo o previsto na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde considerou aprovado a pesquisa (protocolo nº 006/2010). Utilizou-se uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória. O Cenário do estudo foi a sala branca e a sala azul do setor de nefrologia de um Hospital Universitário (RJ). Os sujeitos da pesquisa foram clientes do setor de nefrologia e o critério de inclusão: doença renal crônica de qualquer etiologia e encontrar-se em programa de hemodiálise no Hospital, com acesso em fístula arterovenosa há um período mínimo de seis meses. Os instrumentos foram: roteiro sistematizado de observação não participante, captando as ações da equipe de enfermagem e do cliente durante a punção e entrevista gravada com questões semi-estruturadas com os clientes observados. No primeiro momento identificar como o manuseio da fístula se dá no ato da punção. Posteriormente, levantar como os pacientes avaliam e cuidam do local da punção em diferentes momentos Os dados resultarão de transcrições de entrevistas e de anotações provenientes de observações livres. Os dados observados e gravados serão apresentados a partir de dispositivos analíticos temáticos e categorizados segundo os depoimentos e os objetivos traçados. RESULTADOS PRELIMINARES: Os resultados foram obtidos através do roteiro de observação não participante, levando-se em conta o objeto e objetivos da pesquisa, no qual foi recortado para análise o conjunto de cuidados, as intervenções e as comunicações estabelecidas entre enfermeiro e cliente durante a punção da agulha na fístula. Foram observadas as ações de cuidado desde a entrada do cliente no setor; como a lavagem das mãos do cliente; a verificação do peso e pressão arterial; o uso de EPI (equipamento de proteção individual) pelo enfermeiro; a anti-sepsia no local da punção; o exame físico da fístula, para identificar alguma alteração, até o início da circulação extracorpórea do cliente na máquina de hemodiálise. Entretanto, o que sobressaiu foi à forma como o profissional se dirigia e se comunicava com o cliente, através de sua fisionomia, seus gestos, resultando em diferenciação na atenção e no padrão de interação. No ato de cuidar, identificamos as formas verbais e não-verbais como um alicerce importante para que a relação de cuidado se estabeleça de forma efetiva e singularizada. CONSIDERAÇÕES: Para os clientes em tratamento hemodialítico, ser cuidado significou estabelecer relacionamento interpessoal. As interações no cuidado não se estabelecem de maneira puramente técnica, mas sim “resultante de uma boa utilização dos nossos sentidos. Sem eles, nos restringimos aos registros e a uma assistência de enfermagem racionalizada, meramente instrumental e, talvez, com pouca ou nenhuma afetividade e, portanto vazia”(3). Como elemento do cuidado, a comunicação é de suma importância para a realização de uma intervenção, cujas informações são subsídios para atender as necessidades específicas de cada cliente, identificando as alterações presentes através dos sentidos corporais naquele momento que se esta realizando um cuidado. Tanto o enfermeiro como o cliente, a cada dia estabelecem uma forma de comunicação diferente, seja ela verbal ou não-verbal. E, através da compreensão do que vivencia o outro é que torna-se possível investir mais na forma como nos comunicamos. Ao refletir continuamente nas ações expressas na interação, é possível rever continuamente o cuidado e desenvolvê-lo não apenas com valorização da forma tecnicista, mas essencialmente na perspectiva de um cuidado singularizado.

 Referências

1.OREM, D. E. Enfermagem – conceitos de prática (1980). Traduzido por Fernando Volkmer,1985.

2. Koeppe,G. B.O.; ARAÚJO, S. T. C.   Comunicação como temática de pesquisa na Nefrologia: subsídio para o cuidado de enfermagem. Acta paul. enferm. [online]. 2009, vol.22, n.spe1, pp. 558-563.

3. ARAÚJO,S.T.C. Os sentidos corporais dos estudantes no aprendizado da comunicação não verbal do cliente na recepção pré-operatória: uma semiologia da expressão através da sociopoética [tese]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2000.

 

 

 

 


Palavras-chave


Enfermagem; nefrologia; interação; cuidado; comunicação; hemodiálise.

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.9789/2175-5361.2010.v0i0.%25p 

Article Metrics

Metrics Loading ...

Metrics powered by PLOS ALM


Direitos autorais 2019 Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental Online

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

Novas regras para submissão de artigos na RPCFO a partir de 01/07/2018. Clique aqui.

O atendimento telefônico da secretaria funciona de 06:00 as 09:00, de segunda a sexta feira.

 

        

Crossref Metadata User Badge
SCImago Institutions Rankings